Sou baixinha, gordinha, tenho espinhas, e nada de especial que chame atenção. Além dos seios fartos, e a bunda grande, o que me faz parecer ainda mais gorda. E pra piorar meu cabelo é castanho. Definitivamente, eu não faço o tipo de ninguém.
Vou começar a história do dia em que tudo aconteceu. Era o último dia de aula.
Eu andava suavemente descendo a ladeira da vila. Era um dia agradável, pelo menos para mim. Estava ventando e garoando. Eu vestia uma camiseta abóbora com uma figura de caveira, uma calça jeans cinza e sapatilhas vermelhas de bolinhas e lacinho. Quando entrei em casa, percebi a luz da garagem piscar, e isso nunca acontecera antes. Fechei a porta da frente, e meu celular caiu no chão, o que me fez lembrar da mensagem que recebi mais cedo do meu namorado distante. "Meu celular inflou a bateria. Muito estranho. Se for falar comigo, só no msn." Suspirei, e fui até a cozinha, ligar meu companheiro chamado laptop.
Pus água para esquentar no fogão, e peguei minha caneca de cerâmica com estampa de caveirinhas decoradas, para preparar um chá. Voltei a sentar na frente do laptop, esperando meu namorado. Ele apareceu. Mas logo teve que sair pra ajudar a mãe. Continuei esperando a água terminar de esquentar, silenciosamente, digitando um texto para o meu blog. Quando fui olhar a água, havia uma mosca voando lá perto. Me armei com inseticida e comecei a atacar. Ela quase encostou em mim. Que nojo, que nojo, que nojo. Se tem uma coisa que eu odeio são moscas. Moscas me irritam. Além de serem nojentas, e transmitirem doenças.
De repente fiquei com vontade de ouvir música, e lembrei da orquestra que assisti mais cedo naquele dia com meus colegas de escola. E nesse mesmo dia, perdi meu chip. Meu chip mais importante... Pus Chopin para tocar no YouTube.
Fechei os olhos e relaxei ao som do violino, que conversava com o piano de maneira fantástica. Pensei novamente em como eu nunca participaria de uma orquestra. Não havia tempo. Nunca havia tempo. A medicina tomava todo o meu tempo...
De repente ouvi um barulho. Algo caíra em um vaso do quintal e o quebrara. Levantei rapidamente e me armei com um facão. Ao chegar lá havia um... Gato preto? Era só o que havia? Apenas um gatinho preto de olhos dourados. Mas a coisa ficou muito estranha quando ele piscou pra mim e entrou na minha casa por entre as minhas pernas. Peguei a chave de casa enfurecida e o segui. Quando o alcancei, ele esperava sentado calmamente na frente da porta. Eu a abri, e ele caminhou até o portão. Quando o abri, percebi outra coisa estranha. Ele movia a cauda como se pedisse para que eu o seguisse. Não, não. É só imaginação sua. Só imaginação sua. Fique calma, ele não quer que você o siga.
Mas o lado racional da minha mente não respondeu. Simplesmente cruzei o portão e o segui para fora da vila.
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